Um cérebro
grande não é necessário para dar aulas. Antes que professores
fiquem indignados e inundem a Folha com cartas raivosas, segue o
motivo: a afirmação se refere a formigas, e foi feita por dois
pesquisadores que analisaram um fenômeno único na natureza --um
inseto ensinando outro.
"Nossa identificação de comportamento de ensino em uma formiga
mostra que um cérebro grande não é um pré-requisito para isso",
escrevem Nigel Franks e Tom Richardson, da Universidade de
Bristol, Reino Unido, na edição de hoje da revista científica "Nature".
Claro, o cérebro continua importante. "Talvez animais com
cérebro grande possam muitas vezes aprender de modo
independente", disse Franks à Folha .
Os dois afirmam que o exemplo que encontraram de relacionamento
professor-aluno é inédito no reino animal, descontando-se o ser
humano. "Um indivíduo é um professor se ele modifica seu
comportamento na presença de um observador, com algum custo
inicial para ele próprio, para poder dar um exemplo, de modo que
o outro indivíduo aprenda mais rápido", definem eles.
Eles estudaram o modo como uma formiga "professora" ensinava à
"aluna" o caminho até uma fonte de comida. O caminho era
demorado, e envolvia uma relação entre as duas --a "aluna"
tocava a "professora" nas pernas ou abdômen com sua antena, e
ela modificava seu comportamento em seguida.
Dar aula custa caro para a formiga professora. Ela poderia
chegar quatro vezes mais rápido à fonte de comida se não tivesse
de ensinar o caminho.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u14148.shtml
RICARDO BONALUME NETO da Folha de S.Paulo em 12/01/2006