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Se você
acha que as sociedades humanas são complexas e organizadas, talvez
seja hora de olhar para os formigueiros. Temos muito o que aprender
com eles.
As
formigas, andam organizadamente, sem atropelos, trabalhando pelo bem
comum."Entre as formigas, ninguém manda em ninguém", afirma a
entomologista Deborah Gordon, que, há 17 anos passa o dia observando
formiguinhas sob o sol do Arizona.
Há, por
exemplo, as que se aventuram para fora do formigueiro. São operárias
especializadas em buscar comida.
No
caminho, as operárias esfregam a barriga no chão, deixando um rastro
com o cheiro da colônia a que pertencem, para que ela mesma e as
companheiras não se percam. Formigas não falam, mas os feromônios,
que são as substâncias que carregam odores, substituem com
eficiência as palavras. No caminho para o formigueiro, a operária
pára na frente de outra formiga. As duas esfregam suas sensíveis
anteninhas e, pelo cheiro, percebem que são da mesma colônia. Antes
de seguir em frente, a operária divide um pouco da folha que leva
para casa e avisa, com outro feromônio: "Ali na frente tem algo que
nos interessa".
Mas, se
você acha que conhece as formigas apenas de olhar as que passeiam
por aí, está redondamente enganado. "Apenas 10% da população sai
para buscar comida. As outras 90% ficam na colônia o tempo todo",
diz a pesquisadora Ana Eugênia de Campos Farinha, do Instituto
Biológico de São Paulo. É que, em casa, todas juntas, elas conseguem
se defender. Lá fora, espalhadas em frágeis batalhões, as pequenas
são presas fáceis para predadores famintos como tamanduás, lagartos
e besouros.
Portanto,
para entender mesmo como são esses insetos, o ideal é seguir a fila
e entrar com uma delas pelo buraco do formigueiro. Logo abaixo do
nível do solo há uma multidão de formigas, umas indo, outras vindo.
Nenhuma pára para dar passagem, elas simplesmente sobem umas nas
outras sem se incomodar em pedir licença (não, não há um feromônio
para isso). Começam a surgir bifurcações, ruas mais largas, que dão
em grandes buracos, cheios de larvas. Lá há mais funcionárias
dedicadas.
Algumas
passam o dia lambendo e manipulando, com as patinhas, as larvas das
futuras formiguinhas que vão nascer. Também são operárias, mas
trabalham como babás: ai de quem chegar perto sem o cheiro certo
(que funciona como um crachá). Quando o quarto onde estão os futuros
bebês fica muito quente, elas se organizam e abrem novos dutos de ar
condicionado, zanzando pelo meio da terra para que o ar circule.
Pois é,
temos muito o que aprender com as formigas, não só no que se refere
ao trabalho em equipe, mas também em termos de técnicas agrícolas,
distribuição da comida, sistema político e cuidados ambientais. Quem
sabe, com a ajuda delas, não possamos nos tornar mais civilizados?
Fonte:
Revista Super Interessante
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