Estudando o comportamento dos saimiris, macaco de porte
médio que habitam a Mata Amazônica ao longo do rio Orinoco,
passamos a perceber que os animais não se constituem em
simples seres ou bandos de seres aptos somente para a
procriação, a alimentação e a defesa. Em verdade agem de
acordo com regras sociais que incluem até as boas maneiras.
Se não vejamos. Vejamos as observações trazidas pelos
professores Detlev Ploog e Sigrid Hopf do Instituto Max
Plank em Munique, Alemanha.
Os
filhotes de saimiris, medindo cerca de 10-12 cm, vivem boa
parte da infância "cavalgando" sua mães, aboletados sobre
seus quadris. Um destes animais, passeando desta forma entre
o bando de semelhantes, um dos filhotes roçou uma das mãos
na pelagem do "chefe" do grupo. Esta atitude, descobriu-se
depois, representa uma imperdoável grosseria entre estes
animais - seria como dirigir-se à um estadista puxando-o
pela manga do paletó.
A reação do líder, no entanto foi curiosa. Ao invés de
irritar-se com o filhote, passou uma "descompostura" em
regra na mãe por ela não ter "educado devidamente" seu
pequenino !
Até a idade de 4 semanas de vida, tudo é permitido aos
filhotes saimiris. Durante a quinta semana a mãe começa o
processo de educação nas questões de sobrevivência e de como
conviver adequadamente com seus pares. Este processo dura
geralmente até um ano, entretanto, aos 8 meses o filhote já
passa a ser considerado uma nova "pessoazinha independente"
responsável por suas atitudes. Seus atrevimentos são
repreendidos até com uma moderada, mas inesquecível dentada
aplicada pelo ofendido.
Outro fato curioso. Quando um pequenino é molestado por
outro coleguinha procura diretamente a mãe do agressor para
apresentar veementemente a "sua queixa". Entre os saimiris,
o convencimento em situações de disputa, protesto, queixas e
da conquista de parceiros, ocorre através da impressão
deixada por um deles durante entusiásticas sessões de
exibição de poses, gestos e sons de todo o tipo.
Atitudes como estas, como a de dirigir-se diretamente para
quem pode resolver a situação, trariam mais eficácia para
nós humanos.
Quase sempre, as reclamações de nossas crianças sobre
problemas na escola apresentadas às mães fazem acionar um
confuso e complicado processo que envolve desde a direção da
escola até os pais do importuno coleguinha numa sequência de
ações sem consensos de parte alguma. Este caminho provoca
freqüentes mal entendidos e várias situações de mal
desproporcionais e desnecessárias entre os adultos.