Por Eduardo Kato, biólogo e professor de
Gestão Ambiental do INPG
A cada momento,
podemos constatar fatos incríveis e fantásticos que falam da
capacidade de adaptação de animais e plantas ao ambiente com o
objetivo de, simplesmente, continuar a viver.
Estas
adaptações tem lógica e bom senso e são o resultado da aplicação
de princípios matemáticos, de física e de química.
Vejamos algumas:

Observando ao animais que vivem nas regiões polares (regiões
onde as temperaturas ambiente são constantemente situadas baixo
de 0 oC (zero), notamos neles uma série de adaptações que tem o
objetivo de promover a manutenção da temperatura corpórea
constante e em níveis apropriados para a vida normal. Notamos,
por exemplo, a presença de uma espessa camada de tecido adiposo
(gorduroso) freqüentemente associada à presença de uma pelagem
densa e espessa, a presença de pescoço e apêndices (patas)
curtos (redução da área exposta aos ventos frios e á água
gelada) e um metabolismo adaptado para gerar maior quantidade de
energia para manter a temperatura. Como exemplos temos os ursos
polares, as focas, as morças e os pinguins.
No
caso inverso, quando observamos animais que vivem em climas
muito quentes (África) percebemos outras formas de adaptação,
desta feita adequadas para dissipar mais facilmente o calor do
corpo. As girafas tem as pernas e o pescoço enormes que
facilitam a dissipação de calor (apresentam maior área para a
troca de calor). Os formidáveis elefantes africanos tem suas
enormes orelhas percorridas por um sistema de vasos sangüíneos
intensamente subdividido fato que ajuda especialmente na tarefa
de promover o resfriamento do sangue a cada abanada das orelhas.

Muitas
aves de rapina (gaviões, águias) que se alimentam de cobras
venenosas, são pernaltas de tal forma que a picada dos répteis,
mesmo que atinjam as longas pernas cobertas de escamas (parte
situada abaixo das coxas). Estas aves mergulham quase que
verticalmente sobre suas vítimas, surpreendendo-as e depois de
cravarem suas garras no corpo da presa, rapidamente atingem a
cabeça da vítima com bicadas fatais, quase sem correr o risco de
serem picadas pelas cobras, tendo o corpo afastado do perigo de
picadas venenosas graças as longas pernas "blindadas".
A
maioria das aves que nadam (patos, cisnes) contam com um sistema
de impermeabilização natural da superfície das penas que cobrem
o corpo. Próximo a região da cauda, na parte superior, existe
uma glândula que secreta uma substância gordurosa
impermeabilizante que é retirada pelo animal com a ajuda do bico
e distribuída homogeneamente sobre a superfície das penas
(principalmente da parte inferior do corpo). A impermeabilização
da camada superficial externa faz reter uma camada de ar entre
as penas, reduzindo a densidade total destas aves, fazendo a ave
flutuar. Se um pato tiver lavada a parte inferior do corpo com
um forte detergente não conseguirá flutuar sobre a água até que
ele mesmo reconstitua a camada natural de impermeabilização.

As
plantas naturais dos desertos contam com interessantes
adaptações para resistir ao perigo da desidratação pela ação do
calor. Normalmente, as folhas das plantas são responsáveis pela
perda de água por evaporação - assim, quanto mais folhas, maior
a perda d'água.
A perda d'água deve ser minimizada à qualquer custo no deserto,
e para isto, os cactos transformaram suas folhas em grandes
espinhos que também protegem a planta do ataque de certos
animais herbívoros. E vejam só, mais uma adaptação - a
fotossíntese nos cactos é realizada pela clorofila presente no
caule (caule verde) dos cactos.
Bons
observadores notaram que sob as árvores que produzem a manga
(mangueiras), pouquíssimas plantas conseguem se estabelecer. Uma
substância (hormônio vegetal) eliminada através das folhas da
mangueira e lavada pelas chuvas fica acumulada no solo sob a
mangueira e inibe a germinação e o desenvolvimento da maioria
das outras plantas. Esta situação garante a mangueira a que os
nutrientes presentes no solo não sejam consumidos por
concorrentes.