Um
guarda-caça que atuou em diferentes parques de preservação
da vida natural na África relata durante uma
interessantíssima conversa tida anos atrás que em um dado
segmento, uma estreita estrada em terra batida que costurava
uma região de um dos parques nacionais de preservação
existentes na África tangenciava uma restrita mata densa
encrava na vasta savana do parque.
Diariamente, dezenas de turistas percorriam o parque em seus
carros observando dezenas de diferentes animais soltos pelo
parque.
Conta o guarda-caça, responsável pela bem estar destes
turistas, que um grande elefante macho postava-se escondido
em um ponto da mata à beira da estrada, escondido dos carros
que passavam. Ao identificar carros menores passando, saia
ameaçadoramente barrindo com as orelhas abertas e a cabeça
levantada e parava no meio da estrada. Neste ponto ficava
observando a reação dos passageiros e parecia divertir-se
com todas aquelas caras assustadas. Depois de alguns
segundos, abaixava as orelhas e tranqüilamente retirava-se
até o lugar onde ficava novamente escondido esperando um
segundo e um terceiro carro. Segundo o guarda caça, era
comum este animal repetir regularmente este comportamento
durante a semana, como se fosse uma espécie de divertido
passa tempo, e mais, conta ele que percebia no olhar do
grande animal uma especial satisfação e prazer.
Neste mesmo parque, como é de costume, os grupos familiares
de elefantes formados por até uma dúzia de animais
(filhotes, fêmeas e machos jovens) liderados por uma
experiente fêmea deslocavam-se procurando vegetais para sua
alimentação regular.
Regras bem definidas estabelecem o comportamento básico
entre estes animais. Elas ordenam os vários aspectos da vida
regular dos grupos familiares de elefantes. Este
comportamento parece considerar inclusive aspectos como a
prudência e procedimentos relacionados com o ensino deste
mesmo comportamento - por exemplo cedo os pequeninos
filhotes são ensinados nunca se afastar das proximidades de
suas mães.
Uma tarde, o grupo alimentava-se da vegetação de gramíneas
próximo de um lago. Movido pela curiosidade, um dos
pequeninos foi se deslocando sorrateiramente em direção ao
lago. Percebendo o ato, sua mãe deu um barrido de
advertência "Cuidado, não vá que é perigoso. Volte já !".
O filhote parou, mas provocado pela curiosidade (os
elefantes gostam muito de mergulhar em águas calmas), foi
até a beira do lago. Logo depois escorrega no barranco e cai
dentro do lago. Imediatamente, a mãe corre até lá, seguida
de uma outra fêmea mais jovem, uma "tia". Rapidamente avalia
a situação e decide "pescar" o desobediente com sua longa
tromba.
A "tia" percebendo o nível de dificuldade da operação,
posiciona-se atrás da mãe e segura firmemente uma de suas
pernas traseiras. A mãe avança ao máximo sobre a beira do
lago e retira o assustado filhote e o põe a salvo em solo
firme.
Passado o susto, a "tia" retorna ao grupo enquanto a mãe
"examina" o filhote com sua tromba para ver se "esta
machucado". Encontrando tudo em ordem, empurra o filhote em
direção ao grupo que mantinha-se quieto e atento dando-lhe
um forte empurrão com a tromba - "veja se aprende com a
lição e volte já para seu lugar !".
Impossível, não entender que animais sentem, gostam uns dos
outros, pensam e sabem organizar suas vidas até considerando
aspectos de prudência, coisa que muitos de nós humanos
freqüentemente perdemos de vista.