De
acordo com as observações de Norman Carr, guarda de caça no
Parque Nacional de Kafue, norte da Rodésia (África), os
leões formam grupos de 15 a 45 semelhantes de diversas
idades. São liderados por um macho que se impõe vencendo
seus companheiros pela luta.
O
macho líder é responsável pela manutenção da estrutura do
grupo e pela coordenação das ações de caça aos outros
mamíferos de médio e grande porte (antílopes, búfalos, gnús,
zebras, etc.). Quase sempre, a caça é o resultado de uma
ação planejada e levada a efeito por um grupo de várias
leoas e o leão líder.
Norman relata que por várias vezes observou um leão líder
postar-se imóvel tendo o vento seguindo dela para um grupo
de antílopes reunidos pastando na savana. Sua presença,
notada pelos antílopes, tinha a função de distraí-los do
cerco preparado por mais de uma dezena de leoas formando
cuidadosamente um círculo e vindo pelo lado oposto, sem
serem percebidas por causa da direção do vento. No momento
certo o leão salta em direção aos antílopes que assustados
correm desordenadamente em direção às leoas que
freqüentemente conseguiam caçar até dois animais.
Norman conta ainda que as fêmeas grávidas têm seus filhotes
(geralmente dois) cerca de três meses e meio depois de
fertilizadas. Próximo do momento do parto, a fêmea procura
uma fêmea que já não esteja em idade de ter filhos ou uma
jovem solteira (freqüentemente uma filha sua já adulta) para
ajudá-la no parto e nos primeiros meses após o nascimento da
nova ninhada. A função da "madrinha", como chamam os massai
(tribo de naturais que convive com os grupos de leões nas
savanas africanas), é a de proteger a parturiente de ataques
de animais (hienas, grandes aves de rapina e outros
carnívoros) e ajudar a prover o grupo de alimento.
Nos primeiros três meses de vida os filhotes são mantidos
escondidos em pequenas cavernas ou fendas de maciços
rochosos. A mãe e a madrinha caçam em dupla para alimentar
os filhotes. Sabe-se de casos em que as fêmeas chegam a
carregar antílopes com até 150 kg por mais de 2 km para
alimentar as crias.
Passado este período, os filhotes são apropriadamente
"apresentados" para o grupo principal conduzidos pela mãe
como que numa verdadeira "cerimônia de integração" dos novos
membros. A não observância deste cuidado por parte da mãe,
pode custa a vida dos pequenos, que são imediatamente
devorados pelos machos do grupo.
Uma vez aceitos como "amigos e membros do grupo", passam a
usufruir da dedicação e lealdade do grupo todo. Caso a fêmea
mãe venha a morrer, outras fêmeas assumem automaticamente a
função de "madrinhas" dos órfãos, passando a cuidar dos
pequenos como se fossem seus próprios rebentos,
protegendo-os, inclusive, do ataque de machos que
freqüentemente irritam-se com a presença de jovens animais.